terça-feira, 25 de maio de 2010

Poema - A Poesia

Paulo Leminski – Sobre a poesia.



Surgiste como a Vênus
No céu azul cobalto
Sobre o mundo de ruínas

Surgiste como o sol
Surge numa manhã
Gélida e esquecida

Surgiste pura
Bela como a semente
Que germina na terra

Tu surgiste
Da noite ou do dia
Clara ou escura
Atravessou madrugadas azuis
Para pousar suavemente
No meu paladar

A tua procura
Caminhei solitário
Entre selvas densas
E vilas desabitadas

E tu surgiste
Ó poesia
Em longos ramos
Em profundas raízes
Num acorde mudo
De palavras

Alex Zigar

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Pessoal - 30 Dias Destoantes



Queridos leitores destoantes, hoje este espaço humilde, rústico e cru, está completando um mês de vida. E durante este tempo: mais de quatrocentas visitas (muito para um espaço sobre cultura e poemas); são vinte seguidores; dezenove postagens e mais de trinta comentários. O que me deixa feliz e ao mesmo tempo surpreso. Mas números não demonstram o carinho recebido durante este um mês. Realmente recebi palavras sinceras e afetuosas, que me deixaram sem letras destoantes para responder.

E, desde o nascimento até a tímida evolução deste blog, tudo, eu disse: tudo! Tudo se deve a todos os amigos e companheiros que participam constantemente, seja comentando ou visitando. Então gostaria de agradecer a vocês que colaboraram para estes trinta dias.

E nada melhor comemorar esta data com um presente e a participação de uma leitora destoante. Afinal, são vocês que fazem o blog acontecer. Eu gostaria de compartilhar aqui algumas fotografias da nossa amiga Cândida Barreto, que cedeu gentilmente as imagens para o blog. São fotos belíssimas que revelam a poética sobre a paisagem do Rio Grande do Norte.

Obrigado a todos pelo carinho. E apreciem um pouco das fotografias da Cândida.








segunda-feira, 17 de maio de 2010

Poema - Brasil

[Imagem Ana Cotta]


Brasil das árvores vermelhas
De homens vermelhos
Dos bosques queimados

Brasil país gêmeo
Da terra árida das águas pluviais

Brasil terras dos mares
Berço da mão do Atlântico
Que repousa em teu colo branco

Pátria dos párias
Abrigo do Amazonas

Brasil solo de brasa
Chão coberto de cerração branda
Fecundações de plantas

Nação portugalense
De filhos estrangeiros

Brasil de nome saudade
Das línguas múltiplas dos subúrbios
Da palavra rejeitada da cidade

Terra Santa
Batizada com o sangue dos tupis

Brasil dos navios negreiros
Da bandeira verde selvagem
Do quilombo dos palmares

Mãe dos pinheiros austrais
Do cerrado ocupado

Brasil das embocaduras dos rios
Da selva inundada por águas
Por machados bravos feito de brasas

Brasil da vermelhidão
Dos homens avermelhados
E do cheiro da madeira vermelha


Alex Zigar

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Texto – Arcimboldo: A Arte de Brincar.

Autorretrato


O primeiro Poeta foi Deus. Deus cansado de ficar sentado no trono com os anjinhos, não suportou o vazio que soprava na imensidão do seu reino e resolveu fazer Poesia. É certo que tudo que Ele criou ficou muito bom.

Todo artista quer ser Deus, quer ser Poeta. Deseja criar, deseja inventar. Afinal, o que leva um Poeta a escrever? Não é o sonho da criação? Não é dar prazer para seus admiradores? O desejo de Deus para sua criação não era que desfrutassem das delícias do paraíso?

Arcimboldo (se você não o conhece, então trate de conhecê-lo!) sabia disto perfeitamente. Cansado de ver sempre os mesmos quadros, ele resolveu inventar, ou melhor, brincar com as coisas. Em vez de retratar as pessoas “nobres” como eram vistas, tratou de dar um toque pessoal. Pintava como enxergava aquelas pessoas. Ou, talvez, apenas queria dar um novo sentido a Natureza-morta. Mas o certo é que sua arte ainda impressiona e nos deixa extasiados. Eu, particularmente, divirto-me muito olhando seus quadros. Gosto dos arranjos da natureza e da união dos objetos que formam outra coisa. Ver a arte de Arcimboldo é brincar com os olhos e com a imaginação.

O gênio extravagante e sensível do pintor deu para nossos olhos o deleite de ver uma arte gostosa. Que ensina a olharmos imensamente para seus quadros. E assim como Deus desejava que aproveitássemos do seu jardim, Arcimboldo deseja que gozemos com ele das coisas sérias. Pois a vida, assim como a arte, é uma grande brincadeira.

Aproveite deste sonho, deste surrealismo e se divirta! Mas atenção: Olhe calmamente duas ou mais vezes!

O Fogo (1566)


O Almirante


O Ar (1570)


A Terra (1570)


O Jurista (1566)


O Cozinheiro


Adão


Eva e a Maça (1578)


Vertemnus (1591)


O Cozido ou o Cozinheiro (1571)


Legumes em uma tigela ou Jardineiro (1572)


Inverno (1573)


Outono (1573)


Verão (1573)


Primavera (1573)


O Bibliotecário (1566)


A Água (1563 - 64)



terça-feira, 11 de maio de 2010

Poema - Celebrações do Prazer

[Imagens Balinto]


Êxtase e beleza


“Grave-me
como selo em seu coração,
como selo em seu braço;
pois o amor é forte, é como a morte!
Cruel como o abismo é a paixão.
Suas chamas são chamas de fogo,
uma faísca de Javé!”

Cânticos dos Cânticos ( 8: 6)


Tuas mãos possuem o aroma da terra
Teus lábios o gosto da chuva
Teus cabelos são longos ramos
Flores dos ipês
Teus olhos raios de sol sobre
Minha alma
Teu corpo são folhas e tronco
Que cresce sobre o meu
Teus seios são mananciais de prazer
Tua pele polpa carnosa
E teu ventre néctar das rosas

Por isso às vezes me perco
Entre silêncio e contemplação
Entre êxtase e beleza
Dentro de mim
Dentro de ti

E quando nos envolvemos
Minha amada
No calor da noite
Brota
Sobre a relva orvalhada
Com o suor dos nossos corpos
Em forma de flor resguardada
O amor que tanto sonhamos


Chamas

“Filhas de Jerusalém,
Eu conjuro vocês:
Não despertem, não acordem o amor,
Até que ele o queira!”

Cânticos dos Cânticos ( 8: 4)


Quem acendeu esta chama
Quais mãos incendiaram
Nossos corpos despidos
Entre a areia e o mar
Entre a noite e o dia
Queimamo-nos de imediato
Consumimo-nos num crepúsculo
Eterno e silencioso

Igual a labaredas
De cobiças e paixões
De sangue e alma
Meu desejo arde
Abrasa conflagra
Cada vez mais
Na fogueira
Do teu coração

E entre brasas e cinzas
Madeiras e piras
Surge sempre
Esta vontade de amar
De entregar
De estar em teus braços
Eternamente

Confluência

“Sua boca é um vinho delicioso
que se derrama na minha
molhando-me lábios e dentes”.

Cânticos dos Cânticos ( 7: 10)


Vou a tua procura
Como a primeira flecha
Que atingiu teu coração
Quando nos encontramos

Corro para teu colo
Como o rio
Corre para
Desaguar no mar

Busco tua pele
Como a terra
Deseja a semeadura

E tu também me desejas
Transparente claro nu
Junto ao leito da lua
Sobre uma cama verde

Tu sempre me amas
Caças minhas mãos
Caças meus lábios
Caças meu corpo

E quando finalmente nos encontramos
Oh
Perco-me no teu orgasmo

Provocações

“Beije-me com os beijos de sua boca!
Seus amores são melhores do que o vinho,
o odor de seus perfumes é suave,
seu nome é como óleo escorrendo,
e as donzelas se enamoram de você...”

Cânticos dos Cânticos ( 1: 2-3)


Tu me provocas
Com tuas mãos leves
Em meu peito
Com tua boca macia
Em meu corpo
Igual ao aroma da terra
Numa manhã silenciosa

Não fujas de mim
Não acanhes
Esta luz
Este calor
Este perfume
Que há em ti

Provocas-me e te amo
Entregas pela tarde caída
Teu corpo
Teu olhar
Teu riso
E te amo

Tu me provocas
De todos os modos
Basta teu olhar
Basta teu sorriso
Basta teu perfume
Bastam teus segredos
De mulher provocante

Suores e luares

“Venha, meu amado,
vamos ao campo,
vamos pernoitar debaixo dos cedros,
madrugar pelas vinhas.
Vamos ver se a vinha floresce,
Se os botões estão se abrindo,
Se as romãzeiras vão florindo:
aí lhe darei o meu amor...”

Cânticos dos Cânticos ( 7: 12-13)


E toco em teu ventre lentamente
Demoradamente vagueio nas brumas da lua
Escorrego por entre tua pele clara
Deslizando em teus lábios quentes e molhados
Sinto todo o meu corpo se perder
Diluindo dentro do teu
Reteso um pouco me afasto
Mas ainda te sinto dentro de mim
Sinto-te carregar meu espírito
Flutuando sobre meus suspiros
E sobre o véu dos teus gemidos

Tua língua resvala suavemente
No calor do meu ser
Candura das sensações nervosas
Encontramo-nos em êxtases
Em esparsos de desejos
Derramando minha alma na tua
Experimento teu perfume selvagem
E tuas fantasias noturnas

Queimando
Derretendo os corpos
Flui o espírito nu
Unindo os seres
Penetrando as línguas
Entre suores e luares
E entre lábios e carícias
Dois se transfiguram em um
Uma só carne de paixões e volúpias


Alex Zigar

sábado, 8 de maio de 2010

Poema - Última despedida

[Imagem por N.J]

Tu partes neste outono
Nesta lua nesta noite obscura

Tu partes
Com meu coração
Palpitando no teu
E com minha boca
Na tua

Tu partes como um fio de rosa
A se desmanchar nas docas
E a se perder num mar escuro

O silêncio invade à tarde
A violeta o mundo
A janela não abre
Tu partes

Custa saber
Que nunca mais
Ver-te-ei em meus braços
Tocarei em tuas mãos

Partir é ocasião
E todos partem

Mas custa-me saber
Que não voltas
Que são águas a escorrer
Brandas mansas e lentas
Entre as portas que tu fechas

Partir corta
Talha dilacera
Este perfume
Este sorriso estas palavras
E tudo esvai
E cai
Silencioso e vazio

Tu partes
Com uma parte de mim
E deixa outra parte de ti
Fundir-se lentamente
Em minha alma

Alex Zigar

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Poema - A Porta

[Imagem por Aaron Jack]


A porta está à espera como uma língua retorcida
Como serpentes feridas e esmigalhadas
Pelas forças dos cascos das éguas arredias
A porta entreaberta de som e luz
Convida-nos a todo o momento para abri-la
Não adianta adiar a hora
Ou roubar os ponteiros do relógio da catedral

A água escorre lá fora lenta
Cavalos cavalgam no mar e ameaçam invadir as cidades
Os bares e esquinas cheios de poentes não morrem
E os bairros e barris explodem de uma multidão insana
Com os dedos comidos e estômagos vazios
E a porta está à espera

Não antecipe a tua morte como já dizia o poeta
Haverá o momento de enfrentá-la
Abrirá aos poucos com golpes de navalha
Colhe tua mão o que pode se é que pode

Em certas horas eu oro em vão
Sou um marujo estranho entre meus pares
Não compreendo a ti e nem a mim ou Deus
A porta apenas espera
Mas o que há além da porta
Da janela eu olho lá fora
As plantações adormecem na terra vermelha
E os homens cavam incansavelmente a terra quieta e extraem mel
Eu me pergunto por que não fujo no dorso de Pégaso
Adiantaria eu fugir nos braços e nas pernas de uma prostituta
E as casas exalam o sexo reprimido e fenecem e fedem
Adiantaria fugir entre os alucinógenos do xamã

Sentei a mesa para tomar o inútil café
O céu estava encurvado como num quadro de van Gogh
Todos ainda dormiam
Alguma esperança vazia e nula me trouxe aqui
Poderia ser Jó e caminhar dez léguas e nada mudaria isto
Um pedaço de lembrança dentro de mim dança

O que há depois da porta
Fulanos
Carros
Sapatos
Eu vou atravessar a rua e parar diante de um semáforo
Jornais lêem velhas notícias
É dezembro e inicia a estação das chuvas
É triste as mãos desocupadas não criaram nada
Há pão sobre a mesa e também um pouco de manteiga
Na estante adormece um livro que nunca vou ler
O silêncio acorda dentro de mim
É preciso esmurrar a porta

Nesta manhã eu estou sentado tomando o inútil café
Sem relógio e sem casaco
Sobretudo eu noto a porta
E a vejo em todos os lados


Alex Zigar

terça-feira, 4 de maio de 2010

Opinião – Filmes relacionados com a arte da pintura


A vida dos pintores sempre rendeu bons frutos e inspirações para o cinema. Afinal, a vida desses artistas é dominada pelo desejo exclusivo de criação. Fernando Pessoa expressou muito bem esse desejo num poema que é quase uma oração:

“Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a minha alma a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.”

O choque com uma realidade extremamente medíocre e, às vezes, estúpida termina por gerar um intenso conflito com a sensibilidade do artista, que, por fim, tem uma vida digna de roteiro de cinema. Roteiro que na mão de grandes diretores com excelentes atores pode render muito mais do que apenas um bom filme. Transforma-se numa obra de arte.

Selecionei cinco filmes relacionados com a arte da pintura. Os critérios levados para seleção dos vídeos são totalmente de gosto pessoal:

5 - Pollock – 2000

Jackson Pollock foi vítima de si mesmo. Considerado um dos maiores pintores americano do século 20, o filme conta a história do gênio: do anonimato ao sucesso (criador da técnica "action painting"); e do sucesso a degradação pelo vício do álcool.




4 - Sombras de Goya (Goya's Ghosts) - 2006

Interpretações sensacionais de Natalie Portman (Inês), Javier Bardem (Frei Lorenzo) e dirigido por Milos Forman (Amadeus). Sombras de Goya retrata um período da vida do pintor espanhol, numa época de turbulências políticas. Francisco de Goya (Stellan Skarsgard) é um observador dos dramas causados por disputas ideológicas, o que causa grande impacto nas suas pinturas.




3 - Frida – 2002

Frida é um filme sensacional. Retrata a vida não de uma simples mulher, mas alguém muito além do seu tempo. Ótima atuação de Selma Hayek (Frida Kahlo) e Alfred Molina (Diego Rivera). A direção ficou a cargo de Julie Taymor.




2 - Agonia e êxtase (The Agony and the Ecstasy) - 1965

Baseado no best-seller de Irving Stone, o filme mostra a agonia e o êxtase de Michelangelo (Charlton Heston) na criação de uma das mais belas pinturas do mundo: o teto da Capela Sistina. Mostra também o espírito de um verdadeiro artista e gênio diante de uma criação e a mediocridade do senso comum, Papa Júlio II (Rex Harrison).




1 - Sede de Viver (Lust for Life)- 1956

Também baseado no romance Best-seller de Irving Stone, Sede de Viver retrata a vida do genial Vincent van Gogh. O filme rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para Anthony Quinn no papel de Paul Gauguin. Mas a atuação de Kirk Douglas (Van Gogh) também é simplesmente fascinante tanto que lhe valeu o Globo de Ouro. A direção foi de Vincente Minnelli.

domingo, 2 de maio de 2010

Poema - Fogo e Fúria

Francisco de Goya (1746–1828)
Saturno devorando um filho (1819-1823)
Óleo sobre reboco transladado a tela, 146 x 83 cm
Museu do Prado, Madri

Giram as imensas rodas da fortuna
Em fogo e fúria
As noites escuras
Caem com sangue e ternura

Seria puro ser o galopar da morte
E não temer o desconhecido
Entregar-me como as folhas caídas
Ao mar e as tormentas
E esperar no cais as ondas brutas

Porque foge os passos e os caminhos
Em ladrilhos escondidos pela vegetação
Sempre a perder em sonhos
Dentro de nuvens incertas e de chuvas infinitas
Porque cai o relógio e o guarda-chuva
Das frágeis mãos que o tempo torna

E jamais domamos a carruagem da vida
Que gira e gira com as imensas rodas da fortuna
Em fogo e fúria

Alex Zigar

sábado, 1 de maio de 2010

Conto - O Sorvete

Vincent van Gogh (1853 - 1890)
Os Comedores de Batata (1885)
Óleo sobre tela, 82 X 114 cm
Van Gogh Museum, Amsterdã


Era José, João ou Mané. Era mais um entre tantos. Bigode fino, olhos fundos, aparência de cansado. Pele enrugada, um dente arrancado, mãos duras e ásperas como ferraduras.

Cavar a terra, amolar o facão,
cavar a terra, amolar o facão.

Ele acordava antes do galo. Voltava para casa depois do pôr-do-sol. Tinha quatro filhos, duas meninas e dois meninos. A mulher era obesa, seios flácidos, caídos, cabelos despenteados. A casa era alugada, casa de fundo, edícula, sem reboco, sem azulejo, infiltrações. Saudade dos parentes, da terra natal.

Cavar a terra, amolar o facão,
cavar a terra, amolar o facão.

Maria brincava na sarjeta quando viu o sorveteiro. A criança tinha dedos sujos. Roupa remendada. Cabelos rebelados contra o vento. Queria sorvete. Correu. Pediu dinheiro a mãe.

- A menina quer sorvete! - gritou a mulher para ele.

- Não tenho dinheiro – rebateu ele com a voz abafada.

Maria entrou no quarto onde estava o pai. Ficou a olhá-lo. Ela tinha olhos fundos iguais aos dele. Olhos de piedade e de incompreensão, olhos de ternura.

Há muito tempo ele não chorava, apesar das amarguras da terra. Não tinha culpa. Não culpava ninguém, nem patrão, nem político, nem Deus. Mandou a criança sair do quarto. Chorou e chorou.

Cavar a terra, amolar o facão,
cavar a terra, amolar o facão.
Cavar a terra, amolar o facão,
cavar a terra, amolar o facão.

No dia seguinte ele não foi trabalhar. Acordou ao meio-dia. Vestiu a roupa mais bonita. Foi à igreja. Era sexta-feira. Aproximou-se do padre. Deu um murro na cara do religioso, em seguida pegou a caixinha do altar e saiu.

De noite ele e a família foram a uma sorveteria. Maria chupou sorvete até lambuzar o rostinho.


Alex Zigar