sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Tempo

Um poema para o término de mais um ano.



O Tempo


O homem engole o Tempo
E o Tempo não morre na barriga do homem.
Ele aumenta e aumenta.
Incha a barriga
E devora o homem de dentro pra fora.

O Tempo é assim
Como um bicho pragento
Que come aos pouquinhos
E a gente ri, canta e vive
E só depois se dá conta que o Tempo nos devorou
Devorou a cor dos cabelos,
O brilho dos olhos,
A pele, os dentes, os ossos...

Por fim é o Tempo que engole o homem
E o homem some na enorme barriga do Tempo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Tempo, Café e Assassinos

[O Terraço do Café à Noite (1888) - Van Gogh]



Tempo, Café e Assassinos



Enquanto mofo no silêncio
O mofo alarga sobre meus ossos
Um gole de café
Enquanto pessoas morrem
Um tiro no escuro
O tempo avança veloz
Na noite veloz
Sem voz
Enquanto ouço mudo o vento Uivar!

Enquanto busco uma mão no vazio
O mundo desaba
Toda forma de poder não leva a nada
E há um assassino cruzando a estrada
Enquanto escrevo poemas sobre o nada
Um gole de café
Enquanto envelheço tão rápido
Veloz é a noite que me devora!

Enquanto minto
Há um assassino cruzando a estrada
Bonito é o espetáculo na tevê
Enquanto mofo no silêncio
Alguém bate à porta
Pedindo esmola
Não sei seu nome nem sua origem
Um gole de café
Enquanto um assassino cruza a estrada
E o tempo passa delirante
Sob meus olhos vencidos!