quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Revolução

[No limiar da eternidade (1890) - Vincent van Gogh]


Apenas esperas
A sorte
O ônibus o trem

A revolução não veio

É inútil esperar
Então cava
Planta
Colhe

O mundo fez-se vazio
Os homens vazios
Vazios são os sonhos
Todos Eles estão mortos

A revolução não veio

É inútil se enforcar
Ou invadir terras
Assaltar o mercado
Ou fazer guerras

Marte está próximo
Falam os fios
E computadores
Distantes estão as mãos

A revolução não veio

As mulheres são assassinadas
Os inocentes presos
Os protestos nulos
As eleições em outubro

A revolução não veio

A felicidade está nos mercados e nas feiras
Deus e o diabo brigam por dinheiro
Nas empresas e nas igrejas

Os homens estão desertos de utopias

A revolução não veio

Cavas em atônito silêncio
E tentas enterrar a tua dor
Pois não há remédios
Pois não há salvação

A brutalidade é alucinada demente
Corriqueira assassina

Precipitas a falar com fantasmas
Pois os homens se calaram com diálogos inúteis

Eles não vivem
Só de pão
Mas de ódios e guerras

E não houve revolução

Admirável seria rebelar-se
Insurgir-se contra todos
Mas é inútil lutar sozinho
E cometer um crime

Então apenas esperas
O ônibus
O trem
Pois a revolução não vem

Alex Zigar

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Um Livro Bom



O livro “Tempo Bom,”, lançado pela Iluminuras, não deseja apenas ser uma ótima leitura, mas uma boa ajuda também. A ideia é reverter todo o dinheiro da venda dessa obra para as vítimas das enchentes em Pernambuco e Alagoas.
Organizada pelos autores Sidney Rocha e Cristhiano Aguiar, a antologia de contos traz diversos nomes de escritores destacados da atual cena literária, como: Nelson de Oliveira, Marcelino Freire, Ronaldo Correia de Brito, Xico Sá, entre outros.

Vale a pena ler e ajudar!

domingo, 18 de julho de 2010

O talento de Kseniya

Foi através do blog da Ângela (Atelier Virtual Angela Catarina) que conheci o talento de Kseniya. Uma jovem ucraniana que faz da areia sua expressão artística.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Poema incompleto

[Sob a Chuva (1912) - Franz Marc]


Esta tarde caiu como páginas sombrias
Como um livro nebuloso e vago
Meu olhar se perdeu no horizonte

Subiu ao céu pequenas estrelas

Como em outrora e sempre
Ninguém viu o entardecer

Na margem da água mansa um sapo solitário cantou

A hora de voltar para casa chegou mais cedo
Os pássaros voaram para os ninhos

Ando desabitado
Com mãos abandonadas
Em busca de quem sou
Enquanto tudo morre

Alex Zigar