segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Distante

[A carta de amor (1670) - Vermeer]


Distante



Esta distância das mãos e das bocas
Provoca-nos

Manda-me para o limbo
Distancia dos desejos
E causa-me gastrite crônica

Esta distância das mãos e das bocas

Faz-me um bêbado
Sem rumo ou origem
Faz-me um fumante
Precário e doente

Esta distância
Quanto mal nos causa?

Resfriados, náuseas,
Aumento da pressão,
E loucuras momentâneas.

Oh!Realmente somos loucos
Tão loucos que continuamos com esta distância prejudicial.

sábado, 27 de novembro de 2010

For whom the bell tolls

O Metallica também se inspirou em Hemingway e John Donne para compor uma canção. Abaixo um show da banda em Oakland, Califórnia no festival Days on the Green. A música é “For whom the bell tolls”. (Letra e tradução clique aqui).

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Por Quem os Sinos Dobram

[Três de Maio de 1808 em Madrid - Goya]



Por Quem os Sinos Dobram


Agora os soldados são outros
Outra também é a guerra
Outro também é o tempo
Mas todos com a mesma essência
Afundar navios,
Derrubar homens,
Atirar o pão.

Há uma guerra em meu país
Tão injusta e grave
Como qualquer outra.

Agora o canhão aponta para outro lado
Outra também é a ordem do general
Outro também é o braço pendurado no arame farpado.

Há uma guerra nas ruas,
Nas escolas,
Há uma guerra dentro de nós.

Deus, estou sujo de pó e sangue
Não sei se matei ou se estão me matando.
Importa-me a morte do outro?




P.S. Poema escrito durante a guerra.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Poe é Pop

[Poe]


Como sabemos Poe foi um maldito. Durante sua vida o poeta enfrentou grandes tragédias. Já após a morte (cercada de mistérios) tornou-se uma lenda que influenciou gerações de escritores, poetas, músicos e ilustradores. Tornando-se uma figura popular. Agora seus últimos dias de vida serão romantizados. Em 2011 chega aos cinemas “The Raven”, um filme a cerca de sua misteriosa morte.

[Ilustração de Gustave Dore para o poema “The Raven”]

sábado, 13 de novembro de 2010

Um pensamento de Pascal

[Filósofo em Meditação (1632)- Rembrandt]


"Não sei quem me pôs no mundo nem o que é o mundo, nem mesmo o que sou. Estou numa ignorância terrível de todas as coisas. Não sei o que é o meu corpo, nem o que são os meus sentidos, nem o que é a minha alma, e até esta parte, parte do meu ser que pensa o que eu digo, refletindo sobre tudo sobre si própria, não se conhece melhor do que o resto.”

Blaise Pascal (1623-1662)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Dois meses de Mundo JAMÉ VU

Recebi o release comemorando os 2 meses de JAMÉ VU. E repasso para vocês, meus caríssimos:


O site cultural e coletivo JAMÉ VU, editado pelo escritor Homero Gomes: www.jamevu.tumblr.com, já ultrapassou as 15 (quinze) mil páginas de leitura nesses dois meses em que está no ar.

Um site que nasce de um livro, deveria ter data para acabar; entretanto, o Mundo JAMÉ VU nasceu para ser um coletivo sem restrição estética e ideológica - além de ser um espaço de divulgação das narrativas do saudoso Fulano de Tal.

Ou seja, o Mundo JAMÉ VU é um espaço aberto a ideias e produções artísticas diversas e de qualquer pessoa, seja artista/escritor ou não, sem favorecer, por isso, o sistema de trocas que está enraizado em nossa sociedade.

Entretanto, não quer dizer que não possua uma linha editorial, uma preocupação principal, que atire para todos os lados. Como observou o escritor Carlos Emílio C. Lima, a respeito do Mundo JAMÉ VU, o site é construído por “textos mais ou menos curtos, links de vídeos [além de fotos, charges, ilustrações etc.] em todas as direções não indicadas pela normalidade artistíca. Miscelânea e trechos de turbilhão”.

Essa não normalidade em turbilhão é o fundamento do Mundo JAMÉ VU, pois é assim o livro de narrativas de Fulano de Tal.

O editor convida a todos para que se tornem leitores assíduos e que façam parte desse Mundo JAMÉ VU, contribuindo com produções pessoais ou com textos, fotos, citações, links, vídeos, ilustrações, HQs que possam ser classificados como inusitados, indignantes, que nos colocam em estado de choque ou que arrancam nossa voz de ira.


Serviço:
Editor - Homero Gomes
Contato - homero.gomes | arroba | gmail.com
Endereço - www.jamevu.tumblr.com

Para quem ainda não leu o meu conto por lá: Clique aqui.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sonâmbulo


[Café Noturno (1888) - Van Gogh]

Sonâmbulo



Costumo caminhar pelas ruas vazias
e a perder-me
A observar as rodas impecáveis dos automóveis
E a sentir o cheiro das prostitutas pela manhã
A andar pelas casas
e pelos os telhados vazios
e pela tarde morna
Com pedestres atônitos e vazios
Pelos fios dos postes
Carregados de energias e vozes
e casas desamparadas e de alvenarias
Com alfinetes e relógios
e caixas e utensílios descartáveis
E encontro campos e terras
com homens e mulheres
E fábricas de metais novos de nova engenharia
Óleos e burocracias
e escritórios e delegacias
Costumo caminhar pelas ruas vazias
A observar os mortos que marcham sólidos
E abatidos pela monotonia
Costumo caminhar pelas ruas vazias
E perder-me infinitamente
Entre ruas e casas
Assaltos e mortes
Atentados insanos e crimes passionais
Creio estar pálido
E pálido vou pela rua
Cruzando céus e muros
Sonolento das incertezas do mundo
Talvez já esteja morto e não sabia