terça-feira, 14 de setembro de 2010

Poema - Inconstâncias

[Rousse, La Toilette (1896) - Toulouse-Lautrec]


Inconstâncias


Onde estão tuas mãos?
Nesta noite seca elas não desceram
Para acalmar-me da loucura do mundo


Abro a janela
Há tiros e inconstâncias nas ruas

Ficamos sós.
Em noites silenciosas teu corpo nu me marcou
Como o galopar de um animal selvagem

Escuta
Há tiros e inconstâncias nas ruas

Hoje não tenho tua pele na minha
Nem literatura nem poesia


Tenho carros e discussões absurdas nas ruas


Não, não nos entendemos
Ninguém se compreende no tumulto

Fiquei só.
Em noites silenciosas teus seios e tuas pernas
Adentraram sussurrando em meu corpo


Nota
O mundo não tem calma nem cama
Para silenciar-se ou gozar
É apenas tumulto
Que nos confunde e funde na incompreensão
Das mãos


Não sejamos como o mundo


Nesta noite ficamos sós. Distantes.
Ouvindo as inconstâncias das ruas
Sem silêncio nem gozo.


Alex Zigar

19 comentários:

  1. Intenso! Belo! Sem mais delongas!
    Abçs!

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  2. Beijos para esta jovem poeta!
    Obrigada pela visita.

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  3. Franck, agradeço mais uma vez o carinho. Intenso é sua presença por aqui. Ela sempre melhora a apreça deste blog.

    Um forte abraço.

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  4. Tatiane, obrigado pelo elogio. Seu comentário é um presente extremamente agradável para este blog.

    Abraços.

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  5. Zazá, seja bem-vinda a este espaço estranho da minha literatura. Sou eu quem agradece o apoio. É um prazer recebê-la. Obrigado mais uma vez.

    Grande abraço.

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  6. Parabéns pelo poema. Realmente como já disseram, muito intenso. Adorei :)

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  7. Marina, agradeço sua bondade e gentileza. E parabéns pelo seu blog, ele segue com força total. Adorei a visita e o comentário.

    Abraços.

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  8. Alex, bela surpresa seu blog! Este poema vai ao encontro dos meus sentimentos hoje: vida tumultuada e incompreensões. Fiquei emocionada...
    Ah, obrigada pela visita!

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  9. Ana, seja bem-vinda a Letra Destoante. É um prazer receber sua visita.
    Creio que quase todos nós temos uma vida tumultuada e repleta de incompreensões, infelizmente.
    Obrigado pelo carinho.

    Um abraço.

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  10. Posso dizer, "que lirismo erótico"?

    ... "naõ sejamos como o mundo", eis a palavra-chave do seu poema.

    Abraços,

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  11. Gostei muito da antepenúltima estrofe. Bem boa.

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  12. Alex, quanto tempo.
    É realmente isso... o tempo esta nos afastando, mas ainda me lembro muito de ti e com carinho.
    Amei a "cara nova" do blog. E amei este poema, realmente intenso e me lembrou em algo o filme da qual ja comentamos "O Leitor".
    Realmente amei, vc tem mais do que talento.
    Beijos amigo.

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  13. Richard, muito boa sua observação. Realmente o poema é consagrado ao erótico e as relações humanas. Obrigado pelo comentário preciso.

    Grande abraço.

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  14. Caio, seja bem-vindo as incorretas Letras. Será uma honra contar com sua presença neste espaço. E, sem dúvida, você tem um bom gosto. Agradeço a participação.

    Abraço.

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  15. Fiquei surpreso e feliz em revê-la por aqui, Karen. Achei que havia esquecido o endereço (brincadeira). Fico contente pela visita e pelo bondoso comentário. Realmente as relações das pessoas estão cada vez mais complicadas. E fazê-las pensar a respeito disso é gratificante.
    E agradeço também por notar a mudança do blog e ter gostado. Foi imensamente trabalhoso deixá-lo assim.
    Espero que não suma novamente.
    Agradeço mais uma vez o carinho e a visita surpresa.

    Um forte abraço.

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  16. Alex gostei de visitar o seu espaço e também do poema. voltarei para o ler de novo. curioso que ainda há dias escolhi este mesmo quadro de Toulouse Lautrec para ilustrar os versos no blog em que participo.

    Abraço

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  17. José, seja bem-vindo a Letra Destoante. Obrigado pelo comentário gentil. Realmente foi uma grande coincidência postarmos quase ao mesmo tempo este quadro de Lautrec, aliás uma belíssima pintura.

    Um forte abraço.

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