segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Saúdo o Homem Simples

[Cabana com camponês regressando à casa (1885) - Van Gogh]



Saúdo o Homem Simples


O homem que é simples
Na sua simplicidade rústica e inteligente
Que labuta contra o mato
Açoita a terra vermelha
Abre caminho
Planta, rega, colhe
Sofre de cansaço na noite
Crê na ressurreição das almas
Mas nunca viu milagres
A não ser ele mesmo e as coisas que não compreende.

O Homem que é simples
Que ama a manhã e os bichos
E faz comunhão com o sol e com o pão
Que não entende a guerra do mundo
Nem os movimentos das bandeiras e as divisões da terra
Desconhece a metafísica e a gramática
Que não odeia
Que não mata
Que de tão simples e puro
É quase improvável sua existência.
Mas existe
E eu o saúdo.


5 comentários:

  1. Foi um prazer estar aqui.
    Gostaria de saber se ne cede este poema para
    colocar num dos meus blogues com os devidos
    créditos.
    Basta deixar um comentário.
    Um abraço

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  2. Sinfonia, todos os textos desse blog estão disponíveis e podem ser usados em outros locais, desde que sejam respeitados os seguintes termos: atribuição; uso não-comercial e não alterar ou transformar em cima da obra. Você pode copiar, distribuir e transmitir.

    Será uma honra poder compartilhar esse poema ou outro em uns dos seus blogues. Fico contente em saber que tenha gostado. Obrigado.

    Grande abraço.

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  3. Lembrei do meu pai, que até hoje aos 90 anos, molda a terra,semeia e colhe e também não entende de guerras, bandeiras e divisões da terra. Mas existe...puro e simples como você diz, poeta!

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  4. Existe... E eu o saúdo, Dulce. É um prazer ler isto. E impressionante. 90 anos! Quem dera termos tal força e simplicidade. Obrigado.

    Abraços.

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  5. ...Seu pai é um exemplo para todos nós. Desejo mais saúde e paz para ele.

    abraços.

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