quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Por Quem os Sinos Dobram

[Três de Maio de 1808 em Madrid - Goya]



Por Quem os Sinos Dobram


Agora os soldados são outros
Outra também é a guerra
Outro também é o tempo
Mas todos com a mesma essência
Afundar navios,
Derrubar homens,
Atirar o pão.

Há uma guerra em meu país
Tão injusta e grave
Como qualquer outra.

Agora o canhão aponta para outro lado
Outra também é a ordem do general
Outro também é o braço pendurado no arame farpado.

Há uma guerra nas ruas,
Nas escolas,
Há uma guerra dentro de nós.

Deus, estou sujo de pó e sangue
Não sei se matei ou se estão me matando.
Importa-me a morte do outro?




P.S. Poema escrito durante a guerra.

8 comentários:

  1. Caramba Alex, que poema mais lindo e forte. Excelente post.

    Abs

    ResponderExcluir
  2. "Não sei se matei ou se estão me matando"......Inspiradíssimo, Alex! Também eu não sei se nessa guerra, tão antiga e atual, sou vítima ou algoz. Abraço!

    ResponderExcluir
  3. Obrigado pelo elogio, Gilson. Fico contente em conseguir expressar o sentimento em relação a esta guerra desgraçada nossa de todo o dia.

    Abraços.

    ResponderExcluir
  4. Obrigado, Dulce. Realmente a sensação que tenho é de impotência diante do absurdo da violência urbana no Brasil. Às vezes somos contaminados ante a insanidade que tomou conta do país (“sou vítima ou algoz”).

    Abraços.

    ResponderExcluir
  5. O título é especialmente belo. Adoro títulos! Quisera eu poder roubar esse pra mim :)

    ResponderExcluir
  6. Nicole, temos o mesmo gosto então, pois também adoro títulos! Quisera também que esse título fosse de minha autoria, mas não é. O título pertence ao poeta inglês John Donne. É um trecho retirado do sermão Meditation XVII: “A morte de cada homem diminui-me, porque sou parte da humanidade. Portanto, nunca procure saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”. Em 1940 o escritor americano Ernest Hemingway lançou um romance com este título, o livro trata da Guerra Civil Espanhola e deixa claro o absurdo da guerra.

    Obrigado pelo ótimo comentário.

    Grande abraço.

    ResponderExcluir
  7. Belo poema, Alex! Seu blog é muito convidativo... prazer em conhecê-lo!

    ResponderExcluir
  8. Muito prazer, Aline. Fique à vontade nesta loucura toda. Obrigado pelo elogio.

    Forte abraço.

    ResponderExcluir