sexta-feira, 14 de maio de 2010

Texto – Arcimboldo: A Arte de Brincar.

Autorretrato


O primeiro Poeta foi Deus. Deus cansado de ficar sentado no trono com os anjinhos, não suportou o vazio que soprava na imensidão do seu reino e resolveu fazer Poesia. É certo que tudo que Ele criou ficou muito bom.

Todo artista quer ser Deus, quer ser Poeta. Deseja criar, deseja inventar. Afinal, o que leva um Poeta a escrever? Não é o sonho da criação? Não é dar prazer para seus admiradores? O desejo de Deus para sua criação não era que desfrutassem das delícias do paraíso?

Arcimboldo (se você não o conhece, então trate de conhecê-lo!) sabia disto perfeitamente. Cansado de ver sempre os mesmos quadros, ele resolveu inventar, ou melhor, brincar com as coisas. Em vez de retratar as pessoas “nobres” como eram vistas, tratou de dar um toque pessoal. Pintava como enxergava aquelas pessoas. Ou, talvez, apenas queria dar um novo sentido a Natureza-morta. Mas o certo é que sua arte ainda impressiona e nos deixa extasiados. Eu, particularmente, divirto-me muito olhando seus quadros. Gosto dos arranjos da natureza e da união dos objetos que formam outra coisa. Ver a arte de Arcimboldo é brincar com os olhos e com a imaginação.

O gênio extravagante e sensível do pintor deu para nossos olhos o deleite de ver uma arte gostosa. Que ensina a olharmos imensamente para seus quadros. E assim como Deus desejava que aproveitássemos do seu jardim, Arcimboldo deseja que gozemos com ele das coisas sérias. Pois a vida, assim como a arte, é uma grande brincadeira.

Aproveite deste sonho, deste surrealismo e se divirta! Mas atenção: Olhe calmamente duas ou mais vezes!

O Fogo (1566)


O Almirante


O Ar (1570)


A Terra (1570)


O Jurista (1566)


O Cozinheiro


Adão


Eva e a Maça (1578)


Vertemnus (1591)


O Cozido ou o Cozinheiro (1571)


Legumes em uma tigela ou Jardineiro (1572)


Inverno (1573)


Outono (1573)


Verão (1573)


Primavera (1573)


O Bibliotecário (1566)


A Água (1563 - 64)



6 comentários:

  1. Boa noite, caro Alex.
    São realmente lindas estas obras e por demais exóticas fugindo totalmente do tipo de pintura com que estou acostumado a ver de artistas como Renoir, Courbet, Magritte, Van Gogh ou Dalí que são bem mais modernos que o tal Giuseppe Arcimblodo que, pelas datas que puseste, pude ver que são do século XVI. Realmente impressionei-me.

    Confesso que desconhecia totalmente esses trabalhos mas, graças a ti, tenho o prazer de tomar conhecimento de tão impactantes pinturas e digo que são realmente involventes pela forma como mexem com a visão do espectador por comporem as mais diversas figuras cortesas a partir da junção dos mais inusitados elementos.
    E pobre de mim a penasar que Dalí ou Magritte eram surreais.

    Obrigado pelas valiososas informações e pela aventura que se constitui em admirar estes belos trabalhos que são para muitos como eu desconhecidos.

    Ótima postagem.
    E até mais ver!

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  2. Fantásticas, de uma criatividade ímpar as imagens!

    Abraços,

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  3. Olhei umas dez vezes... e só te faço uma pergunta, poeta: és água? primavera? ar? outono? eva? maça? verão?...
    Um bom fim de semana!
    Franck

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  4. João, mais uma vez obrigado pela participação destoante. Fico muito grado em saber que alguém como você aprecia deste blog. Realmente, estes quadros são desconcertantes, como disse: uma delícia para a imaginação.

    Sou eu quem agradece a valiosa visita e os comentários interessantes!

    Até mais!

    Abraços!

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  5. Richard, obrigado pelo comentário! Seja bem-vindo as “Letras Destoantes”!

    Abraços!

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  6. Olá Franck, mais uma vez agradeço o carinho... Apenas um sonho...

    Até breve

    Abraços!

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